Fibromialgia passa a poder ser reconhecida como deficiência no Brasil a partir de 2026
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A partir de janeiro de 2026, uma nova lei começa a valer no Brasil que pode mudar profundamente a vida de milhões de pessoas que convivem com fibromialgia e doenças semelhantes. Até agora, embora essa condição fosse conhecida por causar dor crônica, cansaço intenso e mudanças no humor e no sono, ela não tinha um reconhecimento claro na legislação que tratasse da deficiência. Com a nova regra, essa realidade começa a se transformar.
A lei entrou em vigor após ser sancionada em 2025 e passa a permitir, pela primeira vez, que pessoas com fibromialgia, e outras síndromes dolorosas relacionadas, sejam enquadradas como “pessoa com deficiência”. Isso não acontece automaticamente: cada caso precisará ser avaliado por uma equipe de profissionais de saúde, como médicos, psicólogos e assistentes sociais, que vão analisar não só a presença da doença, mas como ela limita as atividades diárias e a participação da pessoa na sociedade.
O reconhecimento legal abre a porta para uma série de direitos que antes eram difíceis ou até impossíveis de obter. Entre eles estão o acesso a benefícios sociais, apoio para aposentadoria por invalidez ou por incapacidade, acesso a programas de inclusão no mercado de trabalho e, dependendo das regras locais, até isenções fiscais ou cotas em concursos públicos. Tudo isso dependerá da prova de que a condição realmente afeta a vida da pessoa de forma significativa.
A fibromialgia é uma síndrome crônica que se manifesta por dores espalhadas pelo corpo, fadiga profunda, dificuldade para dormir, mudanças de humor e sintomas como ansiedade e depressão. A origem ainda não é totalmente compreendida, mas sabe-se que ela interfere fortemente na rotina de quem vive com a condição, muitas vezes tornando difícil manter um emprego ou realizar tarefas cotidianas. Estima-se que cerca de 3% da população brasileira conviva com a síndrome, com predominância entre mulheres.
Além de possibilitar o reconhecimento como deficiência, a nova lei também prevê diretrizes para um atendimento mais abrangente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Isso inclui a promoção de atendimento multidisciplinar, com especialistas de diferentes áreas, , a capacitação de profissionais para melhor compreenderem e apoiarem esses pacientes, a disseminação de informações sobre a condição e o estímulo à pesquisa científica para aprofundar o conhecimento sobre essas síndromes.
Para muitas pessoas que ao longo de anos enfrentaram descrédito, diagnósticos tardios e dificuldades para acessar apoio e benefícios, essa mudança representa um avanço importante. O reconhecimento legal pode trazer mais dignidade, mais acesso e mais respaldo para lutar por direitos que, até aqui, muitas vezes eram negados pela falta de um enquadramento claro na lei. No entanto, o impacto completo dependerá de como a avaliação clínica e social será feita na prática e de como os diferentes órgãos públicos adaptarão seus procedimentos para aplicar a nova regra.
Fonte: STF
Texto adaptado: Patrícia Steffanello | Assessoria

















