El Niño volta ao radar e preocupa o Rio Grande do Sul

18 de junho de 2026

Texto: Patrícia Steffanello | Assessoria de Comunicação
Foto: Pixabay

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, o fenômeno voltou a se estabelecer no Oceano Pacífico Equatorial e deve ganhar intensidade nos próximos meses, podendo alcançar intensidade forte durante a primavera austral de 2026. A previsão também indica que o fenômeno pode persistir até o verão de 2026/2027.


No Sul do Brasil, esse cenário exige acompanhamento constante. Isso porque, historicamente, episódios de El Niño costumam favorecer chuva acima da média na região, aumentando o risco de temporais, alagamentos e cheias de rios em algumas localidades. Para o Rio Grande do Sul, a preocupação é ainda maior porque o estado já vivenciou eventos climáticos extremos nos últimos anos, com impactos diretos na moradia, na saúde, no trabalho e na renda de milhares de famílias.


O que é o El Niño e por que ele afeta tanto o RS?

O El Niño faz parte do fenômeno climático conhecido como ENOS, sigla para El Niño-Oscilação Sul. Ele ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o que altera a circulação atmosférica e influencia o regime de chuvas em várias partes do mundo.


No Brasil, os efeitos costumam ser diferentes conforme a região. Enquanto Norte e Nordeste podem enfrentar maior risco de estiagem, o Sul tende a registrar mais chuva. No caso do Rio Grande do Sul, o INMET explica que o fenômeno pode intensificar o transporte de umidade da Amazônia para o estado, favorecendo sistemas de baixa pressão, tempestades e inundações.

Para o trimestre de maio, junho e julho de 2026, a previsão climática do INMET já indicava maior probabilidade de chuva acima da média no Rio Grande do Sul. Em junho, o órgão também apontou chuva acima da média em praticamente todo o estado.


Governo do Estado lança plano de preparação para eventos extremos

Diante do risco climático, o Governo do Rio Grande do Sul lançou o Prepara RS – El Niño, programa estadual voltado à preparação e resposta a eventos extremos associados ao fenômeno em 2026 e 2027. A iniciativa inclui ações de monitoramento, comunicação de risco, apoio a municípios e organização de respostas emergenciais.


Também foi lançado um portal com ferramentas em tempo real para auxiliar gestores públicos e a população. Entre os recursos disponíveis estão informações meteorológicas, níveis de rios, alertas de risco, radar meteorológico da Defesa Civil, dados de estações hidrometeorológicas e mapas de áreas atingidas por eventos adversos anteriores.


A medida mostra que o tema deixou de ser apenas uma previsão climática. O El Niño passou a ser tratado como uma pauta de prevenção, planejamento e proteção social.


É importante que os contribuintes do INSS estejam informados

Eventos climáticos extremos podem gerar consequências diretas na vida previdenciária dos trabalhadores. Enchentes, alagamentos, deslizamentos, perda de moradia, interrupção da atividade rural, agravamento de doenças e acidentes durante ou após temporais podem impactar a capacidade de trabalho e a renda familiar.


Isso não significa que o El Niño, por si só, gere automaticamente direito a benefício do INSS. O que precisa ser analisado é a consequência concreta na vida da pessoa: houve doença? Houve acidente? A pessoa ficou incapacitada para trabalhar? Perdeu documentos? Teve a atividade rural interrompida? A família passou a viver em situação de vulnerabilidade?

 

Trabalhador rural precisa ter atenção redobrada

O impacto do El Niño pode ser especialmente forte para trabalhadores rurais. Chuvas em excesso podem impedir o plantio, prejudicar a colheita, danificar lavouras, afetar criações, dificultar o transporte da produção e comprometer documentos importantes que comprovam a atividade rural.


Para o segurado especial, como agricultor familiar, pescador artesanal, seringueiro, extrativista e indígena, guardar documentos é fundamental. O INSS lista como provas possíveis documentos de propriedade da terra, contratos de arrendamento, parceria ou comodato, cartão de produtor rural, notas fiscais de venda da produção, comprovantes de vacinação de gado e declarações de entrega da produção para cooperativas.


Essa documentação pode ser decisiva em pedidos de aposentadoria rural, salário-maternidade rural, pensão por morte, benefício por incapacidade e outros direitos previdenciários do segurado especial.


BPC/LOAS também pode entrar na análise em alguns casos

O BPC/LOAS é um benefício assistencial pago ao idoso com 65 anos ou mais e à pessoa com deficiência de baixa renda. Diferente dos benefícios previdenciários, ele não exige contribuição ao INSS, mas exige comprovação dos requisitos legais.


O INSS informa que, para ter direito ao BPC, é preciso comprovar baixa renda, inscrição no Cadastro Único e renda familiar de até 1/4 do salário-mínimo por pessoa, conforme cálculo feito com base no CadÚnico e nos sistemas do INSS.


Em um contexto de eventos climáticos extremos, famílias que já vivem em situação de vulnerabilidade podem ter sua realidade agravada. Porém, mais uma vez, é importante reforçar: enchente, perda de bens ou dificuldade financeira não garantem automaticamente o BPC. O caso precisa ser analisado conforme os critérios de idade, deficiência, renda e composição familiar.


Quais documentos devem ser preservados?

Em períodos de chuva intensa e risco de enchente, a organização documental pode evitar grandes prejuízos no futuro. Sempre que possível, é importante manter cópias físicas e digitais de documentos pessoais, comprovantes de residência, documentos médicos, carteira de trabalho, carnês de contribuição, notas fiscais rurais, contratos, documentos de terra, recibos, laudos, receitas e exames.


No caso de trabalhadores rurais, também é recomendável fotografar danos na propriedade, registrar perdas na lavoura, guardar documentos de cooperativas, sindicatos, notas de produtor e qualquer prova que demonstre a continuidade da atividade rural antes e depois do evento climático.


Esses registros podem ajudar tanto em demandas administrativas quanto em eventuais pedidos junto ao INSS.

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