Entrevista domiciliar no BPC foi adiada para 2027: entenda o que mudou
28 de julho de 2026

Conclusão
O aposentado não pode receber auxílio-doença junto com aposentadoria do INSS, em regra. A legislação impede a acumulação desses benefícios.
Mesmo que o aposentado continue trabalhando e contribuindo para o INSS, isso não significa que ele possa receber todos os benefícios novamente. O STF já reconheceu a constitucionalidade da contribuição do aposentado que permanece em atividade ou retorna ao trabalho.
Mas quero te tranquilizar: existem situações que precisam de análise mais cuidadosa. A principal delas ocorre quando a aposentadoria ainda está sendo discutida judicialmente e, durante o processo, o segurado recebe auxílio por incapacidade temporária.
Se a aposentadoria for reconhecida depois, com data retroativa, os valores não devem ser simplesmente anulados nem virar uma dívida automática. O STJ definiu que a compensação de benefícios inacumuláveis deve ser feita mês a mês, limitada ao valor de cada competência e sem gerar saldo negativo contra o beneficiário.
Por isso, antes de cancelar benefício, pedir novo auxílio, aceitar cálculo do INSS ou desistir de atrasados, revise o caso com cuidado.
Texto: Jane Berwanger
Imagem: SinalNews
Uma mudança importante trouxe novo fôlego para idosos e pessoas com deficiência que moram sozinhos e dependem do Cadastro Único para pedir ou manter o BPC.
A exigência de entrevista domiciliar vinha gerando dúvidas, especialmente quando a visita ainda não tinha sido realizada pelo município. Agora, uma regra temporária altera os efeitos dessa pendência e evita que a falta da entrevista seja usada como barreira automática em determinadas situações.
Entenda, a seguir, o que mudou, quem pode ser afetado e quais cuidados continuam importantes para quem recebe ou pretende solicitar o benefício.
O que mudou no BPC?
Um acordo firmado entre o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o INSS e a Defensoria Pública da União foi homologado pela Justiça Federal em julho de 2026.
Com isso, até julho de 2027, a falta do registro da entrevista domiciliar no Cadastro Único não poderá impedir automaticamente:
- a inscrição no CadÚnico;
- a atualização cadastral;
- a concessão do BPC;
- a manutenção de um benefício já concedido.
Na prática, a pessoa não deve ficar sem resposta apenas porque o município ainda não conseguiu realizar a visita em sua casa.
A mudança também foi tratada pela Portaria MDS nº 1.199/2026, que alterou regras relacionadas ao CadÚnico e à entrevista domiciliar para famílias unipessoais.
Para entender o contexto da regra que passará a valer em 2027, veja também
nova regra do CadÚnico para o BPC.
A entrevista domiciliar foi cancelada?
Não.
A entrevista domiciliar não foi extinta. O que houve foi uma flexibilização temporária dos efeitos da ausência da visita.
Isso significa que, até julho de 2027, a falta da entrevista não deve ser usada como único motivo para negar, bloquear ou suspender o BPC de quem mora sozinho.
Mas o Cadastro Único continua obrigatório.
O atendimento poderá ser feito presencialmente no CRAS, em posto do Cadastro Único ou em outro local indicado pelo município.
Quem é afetado pela mudança?
A principal mudança envolve as chamadas famílias unipessoais.
Família unipessoal é o cadastro formado por apenas uma pessoa. É o caso, por exemplo, de um idoso ou de uma pessoa com deficiência que mora sozinha e informa essa condição no CadÚnico.
Mas é importante ter cuidado.
Morar no mesmo terreno de parentes não significa, automaticamente, morar sozinho.
O que importa é a realidade: se a pessoa vive em casa separada, se divide despesas, se compartilha alimentação e como a família se organiza no dia a dia.
Informações incorretas no CadÚnico podem gerar exigências, bloqueio, suspensão ou até cancelamento do benefício.
A mudança garante o BPC?
Não.
A nova regra evita que a falta da visita domiciliar vire uma barreira automática. Mas o INSS ainda precisa analisar todos os requisitos do benefício.
O BPC é pago a:
- pessoas idosas com 65 anos ou mais;
- pessoas com deficiência de qualquer idade;
- desde que exista situação de baixa renda e vulnerabilidade social.
O benefício tem valor de um salário mínimo por mês. Ele não exige contribuição ao INSS, mas também não é aposentadoria.
Isso faz diferença porque o BPC não paga 13º salário e não deixa pensão por morte para os dependentes.
Em outras palavras: quando o beneficiário do BPC falece, o pagamento é encerrado. Os familiares não passam a receber o benefício automaticamente.
Se a dúvida for sobre o direito dos dependentes após o falecimento de um familiar, vale conferir pensão por morte do INSS.
No caso da pessoa com deficiência, o INSS avalia não apenas o diagnóstico, mas também os impactos da condição na vida da pessoa, sua autonomia, rotina, barreiras e participação social.
Sobre esse ponto, vale conferir avaliação biopsicossocial no BPC.
Quando a visita ainda pode acontecer?
A visita domiciliar ainda pode ser feita, principalmente quando houver necessidade de conferir as informações do cadastro.
Isso pode ocorrer em casos de:
- averiguação cadastral;
- suspeita de informação incorreta;
- divergência sobre quem mora na residência;
- dados incompatíveis com outras bases públicas;
- apuração de possível irregularidade.
Também podem existir exceções quando a visita não for possível por motivos como área de violência, difícil acesso, emergência, calamidade, desastre ou medida protetiva.
Ou seja: a entrevista foi flexibilizada, mas o cadastro ainda pode ser conferido.
O que fazer se o BPC foi negado ou suspenso?
O primeiro passo é verificar o motivo registrado pelo INSS.
Se a negativa, suspensão ou exigência ocorreu apenas por falta da entrevista domiciliar, o caso deve ser analisado com atenção. Até julho de 2027, essa ausência não deve impedir automaticamente o BPC nas situações alcançadas pela regra temporária.
O beneficiário deve guardar:
- comprovante de atendimento no CRAS;
- folha-resumo do CadÚnico;
- protocolo de atualização cadastral;
- carta de indeferimento;
- notificações do INSS;
- documentos de renda e despesas;
- laudos e relatórios médicos, quando for BPC para pessoa com deficiência.
Dependendo do caso, pode ser possível cumprir exigência, pedir nova análise, apresentar recurso administrativo ou discutir a situação judicialmente.
Se o benefício já foi cortado, veja também benefício do INSS cessado.
Documentos importantes para o CadÚnico e o BPC
Para atualizar o CadÚnico, normalmente são solicitados:
- CPF;
- documento com foto;
- comprovante de residência;
- comprovantes de renda;
- documentos das pessoas da família;
- informações sobre despesas da casa.
Quem mora sozinho pode reunir documentos que ajudem a demonstrar essa condição, como conta de luz, contrato de aluguel, correspondências no endereço e comprovantes de despesas pagas pela própria pessoa.
Para o pedido de BPC por deficiência, também podem ser importantes:
- laudos médicos;
- exames;
- receitas;
- relatórios de profissionais da saúde;
- comprovantes de terapias;
- documentos que mostrem limitações na rotina.
O ideal é que os documentos expliquem como a condição afeta a vida da pessoa.
Apenas o nome da doença pode não ser suficiente.
Em resumo
Até julho de 2027, a falta de entrevista domiciliar não poderá impedir automaticamente a inscrição ou atualização no CadÚnico, nem a concessão ou manutenção do BPC para famílias unipessoais.
A visita, porém, não foi cancelada definitivamente.
O CadÚnico continua obrigatório, e o INSS ainda vai analisar idade, deficiência, renda, composição familiar e vulnerabilidade social.
Por isso, quem depende do BPC deve manter o cadastro atualizado, guardar documentos e verificar qualquer notificação recebida pelo INSS ou pelo CRAS.
Perguntas frequentes sobre entrevista domiciliar no BPC
A entrevista domiciliar do BPC foi cancelada?
Não. Ela foi temporariamente flexibilizada. A falta da visita não pode impedir automaticamente o BPC até julho de 2027, nas situações alcançadas pela regra.
Quem mora sozinho pode atualizar o CadÚnico no CRAS?
Sim. O atendimento pode ser feito presencialmente na unidade responsável pelo Cadastro Único no município.
Sem entrevista domiciliar, o BPC é aprovado automaticamente?
Não. O INSS ainda avalia todos os requisitos do benefício.
A mudança vale para todas as famílias?
A mudança atinge principalmente famílias unipessoais, formadas por uma única pessoa.
O BPC é aposentadoria?
Não. O BPC é um benefício assistencial. Ele não exige contribuição ao INSS, mas também não paga 13º salário e não gera pensão por morte.
O que fazer se o BPC foi negado por falta de visita?
É importante verificar a carta de indeferimento, conferir o CadÚnico e guardar os comprovantes. Pode haver possibilidade de recurso, nova análise ou ação judicial.
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