Depressão avança e acende alerta entre agricultores

10 de setembro de 2026

Fonte: Patrícia Steffanello - Assessoria de Comunicação - Berwanger Advogados 

Créditos de imagem: Pexels

Setembro é marcado pelo Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. O período é uma oportunidade para ampliar o diálogo sobre um problema que pode atingir qualquer pessoa, independentemente de onde ela mora ou trabalha.


E, quando falamos sobre saúde mental, também precisamos olhar para o interior do Brasil.

O trabalhador rural enfrenta uma rotina que envolve esforço físico, longas jornadas e uma série de fatores que nem sempre estão sob seu controle. A produção depende do clima, dos preços, dos custos e de condições que podem mudar rapidamente.

Uma estiagem prolongada, uma enchente, uma geada ou uma queda no preço dos produtos pode comprometer meses de trabalho.


Para muitas famílias, principalmente na agricultura familiar, uma safra ruim representa muito mais do que um prejuízo financeiro. Pode significar dificuldades para pagar contas, manter a propriedade e garantir o sustento da família.


Saúde mental também é uma questão do campo

O sofrimento psicológico do agricultor muitas vezes permanece escondido.

Existe uma cultura de resistência bastante presente no meio rural. A ideia de que é preciso “aguentar firme”, continuar trabalhando e não demonstrar fragilidade pode fazer com que muitas pessoas tenham dificuldade para reconhecer que precisam de ajuda.


Pesquisas já apontaram relações entre dificuldades econômicas, perdas na produção, condições de trabalho e maior ocorrência de sofrimento psicológico entre agricultores.


Além disso, quem vive em áreas rurais pode enfrentar obstáculos adicionais para buscar atendimento. A distância dos centros urbanos, a dificuldade de transporte e a menor disponibilidade de profissionais especializados podem fazer com que o atendimento seja adiado.


Por isso, falar de saúde mental no campo também significa discutir acesso à informação, atendimento e redes de apoio.


Nem todo sofrimento é visível

Um dos grandes desafios relacionados aos transtornos mentais é que eles nem sempre apresentam sinais que podem ser facilmente percebidos pelas pessoas ao redor.


Uma fratura ou uma limitação física evidente pode ser reconhecida imediatamente. Já a depressão e a ansiedade podem permanecer escondidas por muito tempo.


No caso do trabalhador rural, essa questão merece atenção especial.

A rotina de quem planta, colhe, cuida dos animais, opera máquinas ou depende diariamente da própria força de trabalho possui características próprias. Quando uma doença interfere nessa capacidade, o impacto pode ser significativo.


Por isso, é importante compreender que saúde mental também está relacionada à capacidade para o trabalho.


E onde entra a Previdência Social?

Quando uma doença compromete a capacidade de trabalho do segurado, a Previdência Social pode exercer uma importante função de proteção, desde que sejam preenchidos os requisitos previstos na legislação.

Isso também se aplica aos transtornos mentais.


Entretanto, a análise de uma eventual incapacidade não deve considerar apenas o nome da doença ou o diagnóstico apresentado. É necessário avaliar como aquela condição afeta concretamente a capacidade de trabalho do segurado.

Essa análise ganha características próprias quando estamos diante de um trabalhador rural.


A atividade exercida, a rotina profissional, as limitações apresentadas e as condições em que o trabalho é realizado são elementos importantes para compreender a situação.


A documentação médica também possui papel fundamental, assim como, nos casos aplicáveis, a comprovação da atividade rural e da condição previdenciária do segurado.


Olhar para o interior também é uma forma de prevenção

O Setembro Amarelo nos lembra que falar pode ser uma forma de prevenção.

Mas falar também significa saber ouvir.


Precisamos olhar para o agricultor que perdeu uma safra. Para quem está enfrentando dificuldades financeiras. Para aquele que deixou de participar da comunidade. Para quem mudou de comportamento ou passou a permanecer mais isolado. Nem sempre quem precisa de ajuda vai conseguir pedir.


Por isso, familiares, amigos, vizinhos e comunidades também podem exercer um papel importante na identificação de sinais de sofrimento e no incentivo à busca por ajuda profissional.


O campo também precisa falar sobre saúde mental

O Brasil não termina nas grandes cidades.  Existe um país que acorda antes do sol, trabalha na terra, cuida dos animais e depende diretamente das condições do clima e do mercado para garantir sua renda.


Esse trabalhador também enfrenta ansiedade, depressão, solidão e outros problemas relacionados à saúde mental. Neste Setembro Amarelo, ampliar o olhar para essa realidade é necessário.


Falar sobre saúde mental no campo é falar sobre vida, trabalho, dignidade e proteção social.

E, muitas vezes, antes de existir um diagnóstico, um benefício previdenciário ou um processo judicial, existe simplesmente uma pessoa que precisa ser ouvida.


Se você percebe que alguém próximo está enfrentando sofrimento emocional, incentive a busca por ajuda profissional. Em situações de crise, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188.



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